Notícias Consultas sobre concessões avançam sem debate prévio em São Paulo

Consultas sobre concessões avançam sem debate prévio em São Paulo

20 maio 2026

O governo do estado de São Paulo abriu processo relacionado a municípios que integram o programa Universaliza SP. Em paralelo, a SP Águas recebe contribuições para regras de obtenção de outorgas

20 maio 2026

(Divulgação/Sabesp)
(Divulgação/Sabesp)

Dois importantes instrumentos de gestão de recursos hídricos e saneamento básico no Estado de São Paulo estão em processo de consulta pública. 

O governo do estado de São Paulo está realizando audiências públicas relacionadas à concessão de serviços de saneamento básico para municípios dentro do UniversalizaSP, programa que pretende ampliar a cobertura dos serviços no estado. 

Em paralelo, a SP Águas está recebendo contribuições para a definição de regras para outorgas de uso e interferência de recursos hídricos do estado, com o objetivo de de unificar as normas para pessoas físicas e jurídicas e entes públicos e privados. 

Chama a atenção uma diferença importante na maneira como os dois processos foram conduzidos: enquanto a consulta relacionada às outorgas é realizada depois de um caminho de debate e preparação, com discussões nos comitês de bacia hidrográfica e o Conselho Estadual de Recursos Hídricos, as audiências e consultas da nova unidade regional permitiram pouco tempo de discussão prévia, sendo que há uma quantidade enorme de documentos a serem analisados.

UniveralizaSP: novas concessões

Data limite: 12 de junho
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As audiências do UniversalizaSP se referem a municípios que aderiram ao programa e fazem parte da Urae 2, unidade regional criada para agrupar municípios não atendidos pela Sabesp. Dos 274 municípios não cobertos pela Sabesp, 146 já aderiram ao UniversalizaSP e a Urae 2. 

Depois que um primeiro modelo de regionalização do estado, com quatro Uraes, fracassou devido à baixa adesão de muitos municípios, o governo estadual redesenhou o arranjo regional de São Paulo de modo que ficassem duas Uraes (Urae 1 com os atendidos pela Sabesp e Urae 2 para todos os outros). Segundo a Lei Ordinária Estadual nº 18.436 aprovada em 2026 e que definiu o novo desenho, as uraes podem ser subdivididas em blocos menores, as sub-Uraes.

Já o UniversalizaSP foi criado para oferecer apoio técnico e financeiro à estruturação de projetos de parceria com a iniciativa privada a municípios integrantes da Unidade Regional de Saneamento Básico (Urae) 2. De acordo com o governo, cerca de 40 cidades já têm hoje algum tipo de concessão ou atuação de empresas de economia mista. Nesse processo, o estado se concentrou nas cidades em que o serviço é feito por autarquias e administrações diretas.

Uma novidade importante do programa é a inclusão da drenagem urbana nos contratos, diferentemente das concessões tradicionais de saneamento, voltadas principalmente aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Agora, a minuta contratual cria mecanismos específicos para financiar e incorporar obras e serviços de drenagem às futuras concessões regionalizadas.

Em relação à consulta e às audiências públicas em curso, o objetivo é avançar com as concessões de modo que pelo menos quatro blocos de cidades sejam licitados ainda em 2026: São Caetano (com audiência pública ocorrida em 11/5), Americana (idem, em 12/5), São Carlos (audiência marcada para 25/5) e Junqueirópolis (marcada para 26/5). 

O processo está sendo conduzido pela Semil-SP (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) e pela SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos). As pastas estimam que o projeto movimentará R$ 29 bilhões de investimentos até 2033 e R$ 100 bilhões até 2060. 

Nas duas audiências realizadas até agora sobre a nova unidade regional (São Caetano e Americana), houve questionamentos por parte de representantes da sociedade civil em relação ao curto tempo para analisar a extensa documentação (são 20 documentos, incluindo Plano Regional de Saneamento Básico, editais e diversos anexos).

Outros pontos levantados estavam a escolha dos horários das sessões, o fato de não terem sido marcadas audiências públicas para a maior parte das cidades participantes e mesmo a necessidade de alguns municípios já universalizados serem incluídos no programa UniversalizaSP (São Caetano do Sul conta com cobertura total de água e esgoto, por exemplo). 

O IAS acompanha de perto a evolução das concessões dos serviços de água e saneamento no Estado de São Paulo desde a aprovação da revisão do Marco Legal de 2020 e passando pela implementação da regionalização e a privatização da Sabesp.

Ao longo desse período, foi possível observarmos que todos os processos foram marcados pela falta de debate público, com muito pouco tempo para as consultas públicas. Em um ano e meio de mandato, o governo Tarcísio instalou a governança da Urae 1, promoveu mudanças nas agências reguladoras, criou um novo contrato e passou o controle dos serviços de água e esgoto para a iniciativa privada até, ao menos, o ano de 2060.

Regras para outorgas

Data limite: 24 de junho
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No outro processo de consulta pública, a SP Águas quer ouvir a sociedade a respeito de procedimentos, diretrizes e critérios para a obtenção de outorgas de direito de uso e de interferência nos recursos hídricos do Estado de São Paulo. As contribuições podem ser recebidas até 25 de maio. 

Segundo o governo, seu objetivo é unificar as regras para que pessoas físicas e jurídicas, públicas e privadas usufruam do mesmo regime em relação às águas, em substituição ao que classifica de “conjunto fragmentado de Portarias e Instruções Técnicas atualmente em vigor”. Para o governo, a complexidade do sistema atual desafia a eficiência da gestão hídrica no estado de São Paulo. 

As outorgas são autorizações necessárias para dezenas de modos de utilização dos recursos hídricos, incluindo abastecimento de água à população, consumo humano, abastecimento industrial, uso na agricultura, irrigação, geração de energia por hidrelétrica, entre muitos outros. Entre os tipos de interferência previstos na legislação estão construção de barragens, controle de cheias e regularização de nível de mananciais para a captação.

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