Notícias Organizações exigem que Sabesp retome bônus para quem economiza água

Organizações exigem que Sabesp retome bônus para quem economiza água

14 ago 2026

Campanha lançada por IAS, Greenpeace, ONDAS e SOS Mata Atlântica exigem volta do mecanismo de incentivos financeiros usado durante crise hídrica de 2014-2015; redução de pressão em vigor atualmente penaliza a população vulnerabilizada

14 ago 2026

Vista aérea de represas do Sistema Cantareira (Divulgação/Alesp)
Vista aérea de represas do Sistema Cantareira (Divulgação/Alesp)

Instituto Água e Saneamento, Greenpeace Brasil, ONDAS e SOS Mata Atlântica lançaram em 10 de agosto uma petição pública exigindo a volta do desconto para quem economiza água em São Paulo, medida que fez 8 em cada 10 consumidores reduzirem o consumo na crise de 2015.

A campanha chega um ano depois que a Sabesp implantou a Gestão de Demanda Noturna (GDN) para 22 milhões de consumidores (77% de seus clientes) na Região Metropolitana de São Paulo. Há um ano, a medida reduz a pressão da água todas as noites, institucionalizando a falta d’água diária principalmente para populações de bairros altos, periféricos e residências sem caixa d’água.

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Com as represas que abastecem a região em estado de alerta e a imprevisibilidade em relação ao clima nos próximos meses, reforçada pela chegada do El Niño, paira no ar a possibilidade da crise hídrica. É preciso pensar para além da Gestão da Demanda Noturna como medida de economia e incluir estratégias que contemplem a adaptação climática e a proteção das fontes d’água.

Em 2025, a Sabesp também bateu recorde de captação dos mananciais da Grande São Paulo, uma média de 72 mil litros por segundo. Até o momento, não foram divulgados dados que justifiquem a demanda sem precedente e que contribuíram para a queda dos reservatórios.  

“O aumento de retirada de água das represas registrado em 2025 é preocupante. É uma taxa maior que o crescimento vegetativo da população. Levantamentos de 2024 apontam também que os usos industriais e comerciais cresceram em taxas maiores que o consumo residencial. Ou seja, a maior retirada pode estar relacionada a usos não residenciais e, em tempos de represas em estado de alerta, é preciso priorizar o abastecimento humano acima de qualquer uso”, destaca Eduardo Caetano, coordenador de difusão e conhecimento do Instituto Água e Saneamento (IAS).

As soluções propostas pelas ONGs

Em vez de punir a população vulnerável com o desabastecimento, as ONGs cobram ações estruturais e de justiça social:

  1. Retomada do Bônus Tarifário: Desconto proporcional na conta (10%, 20% ou 30%) para quem reduz o consumo. Na crise de 2014-2015, o incentivo fez 82% dos consumidores da Grande SP economizarem.
  2. Ampliação do Programa Reserva Certa: Instalação gratuita de caixas d’água para famílias de baixa renda. Hoje, atende só 2.500 imóveis.
  3. Investimento em Infraestrutura Verde e Azul: Recuperação e reflorestamento dos mananciais nos Planos de Contingência.

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