Gestão da Demanda Noturna completa um ano como única medida de economia em SP
27 ago 2026
A medida foi decretada pela Arsesp em agosto de 2025 em reação à situação das represas na época, que estavam com os níveis mais baixos desde a crise hídrica de 2014/15. Atualmente, período de restrição é de oito horas.
27 ago 2026
Em 27 de agosto de 2025, exatamente um ano atrás, milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo passaram a ter a pressão da água de suas torneiras reduzida durante a noite.
A medida foi decretada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) em reação à situação das represas na época, que estavam com os níveis mais baixos desde a crise hídrica de 2014/15.
Oficialmente chamada de Gestão da Demanda Noturna (GDN), o mecanismo segue em funcionamento, um ano depois. Um mês depois da decretação, o período com menos água nas torneiras, passou de oito (21h – 5h) para dez horas a cada noite (19h – 5h). Só no fim de julho deste ano retornou para o período de oito horas.
No início de agosto, a Sabesp anunciou que a Gestão de Demanda Noturna possibilitou uma economia de cerca de 183 bilhões de litros de água. A diminuição de pressão contribui para reduzir os vazamentos, trazendo um impacto positivo na economia de água.
No entanto, a medida tende a impactar mais moradores de regiões periféricas, assim como de áreas mais altas e/ou que não têm caixa d’água. Dados do diagnóstico que faz parte do PMSAI (Plano Municipal de Saneamento Integrado), preparado pela prefeitura de São Paulo com consultoria da ONU-Habitat mostra as áreas mais prejudicadas.
Na zona sul, os distritos de Parelheiros, Capela do Socorro, M’Boi Mirim e Cidade Ademar são os mais afetados. Na zona leste, as queixas de intermitência são frequentes em São Mateus, Cidade Tiradentes, Itaquera e Guaianases. Já na zona norte, Perus, Brasilândia e Vila Nova Cachoeirinha aparecem como áreas de criticidade elevada.
A volta para um período mais curto de GDN aconteceu devido ao Sistema Cantareira ter registrado um volume útil acima do mínimo esperado para julho, de acordo com uma nova metodologia elaborada pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica (Arsesp e SP Águas).
No entanto, em julho, o Sistema Cantareira fechou o período com 36,7% de volume útil, uma queda de 3,2 pontos em relação a junho. O mês também foi especialmente seco, com 70% menos chuva do que o esperado.
Como registra a última edição do Relatório de Mananciais do IAS, se as chuvas para os próximos meses se mantiverem na média histórica, a condição pode se estabilizar e até melhorar. Acontece que o quadro é de imprevisibilidade climática, graças ao fenômeno El Niño, que pode trazer tanto chuvas intensas como agravamento da estiagem.
Em relação à nova metodologia de acompanhamento dos reservatórios do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), ela passa a considerar também o volume e a previsão hidrológica específicos do Sistema Cantareira.
De acordo com a nova metodologia, a operação do Sistema Integrado Metropolitano em julho ficou na Faixa 2, determinada pela condição atual do Sistema Cantareira. A decisão, tomada pela Arsesp ao final de julho, seguiu o indicado na metodologia, mesmo que isso não tenha significado a recuperação efetiva dos mananciais.
Vale lembrar que, se o volume do Sistema Cantareira fechar o mês de agosto abaixo de 30,5%, a GDN pode ter seu tempo ampliado novamente para 10h de duração.
A campanha por outras medidas
No entanto, o IAS defende que esta não deveria ser a única medida de economia, uma vez que acaba penalizando em geral moradores de regiões periféricas, assim como de áreas mais altas e/ou que não têm caixa d’água.
Em agosto, ao lado das organizações Greenpeace, Ondas e SOS Mata Atlântica, o IAS lançou a campanha “Sabesp quem economiza merece desconto na conta da água”, um abaixo-assinado que exige que a empresa reintroduza um bônus na fatura para consumidores que reduzirem seu gasto mensal de água.
A proposta segue o modelo praticado em 2014-15, onde um desconto proporcional era aplicado no valor da conta (10%, 20% ou 30%) para quem reduzisse o consumo. O incentivo fez 82% dos consumidores da Grande São Paulo economizarem.
Outras duas medidas são defendidas pela campanha. A primeira é a ampliação do Programa Reserva Certa, que prevê a instalação gratuita de caixas d’água para famílias de baixa renda. Atualmente, ele atende só 2.500 imóveis. A segunda é o investimento em infraestrutura verde e azul, com recuperação e reflorestamento dos mananciais nos Planos de Contingência.
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