Dia Mundial do Banheiro 2021: organizações discutem propostas para o esgotamento sanitário no Brasil

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Dia Mundial do Banheiro 2021: organizações discutem propostas para o esgotamento sanitário no Brasil

A abertura da programação para o DMB2021 contou com a participação de organizações envolvidas com o tema e com entrevistas exclusivas com os três relatores especiais da ONU para o Direito Humano à Água e ao Esgotamento Sanitário

Nesta sexta-feira, 19, Dia Mundial do Banheiro, o Instituto Água e Saneamento e diversas organizações da sociedade civil discutiram o acesso ao esgotamento sanitário no Brasil. O evento está disponível, na íntegra, neste link. Com o objetivo de provocar uma ampla reflexão acerca do saneamento no país, o IAS aprofunda a discussão partindo da meta do ODS 6 da Agenda 2030, de garantir água e  saneamento básico à toda população mundial. No Brasil, metade da população não têm acesso ao esgotamento seguro, um direito humano estabelecido pela ONU em 2015. 

Para abrir a discussão, a diretora executiva do IAS, Marussia Whately, falou acerca do contexto de pandemia e emergência climática, ressaltando a importância do evento da ONU, que tem como mote neste ano “Valorizando os Banheiros”. Em seguida, o representante do Saneamento Inclusivo, Tomaz Kipnis, apresentou as frentes principais de atuação e produtos da organização e abordou o reconhecimento de diferentes formas de atendimento de esgoto, de sistemas centralizados e descentralizados. “Cada sistema precisa ser adaptado ao contexto para que seja viável e sustentável, inclusive financeiramente”.

“Banheiros mudam a vida das mulheres”

Entre as organizações participantes do evento está a Sana, uma iniciativa de impacto social apoiadora de mulheres em comunidades isoladas. A fundadora Aline Matulja contou que são mais de 1,5mi de mulheres sem banheiro no Brasil: “Já realizamos mutirões comunitários para a construção de banheiros no Maranhão, Bahia e Espírito Santo. Ao longo da experiência, percebemos que os banheiros mudavam as vidas das mulheres dentro do contexto familiar. A mulher média no Brasil dedica 70% do seu tempo aos cuidados com alimentação, educação e saúde das famílias”. 

Rafael Neves, da Articulação no Semiárido brasileiro (ASA), elogiou as parcerias entre organizações para a construção de soluções para o saneamento e ressaltou a importância de abordar o saneamento no Dia Mundial do Banheiro. “Parece que nós, a sociedade, não conseguimos resolver nada que a gente não veja. Fico pensando, que é porque o cocô sai por debaixo do cano e aí ninguém mais liga, não resolve. É como se a sociedade dissesse: depois que o cocô desce após a descarga não é problema meu”. “Precisamos de mais eventos como esse para desmistificar os problemas reais da sociedade brasileira, das pessoas que têm seus direitos excluídos, pois só visualizando conseguimos discutir e resolver o problema.” finalizou. 

“Não basta apenas ter banheiros, mas banheiros dignos e seguros”

Outra organização que contribui na visibilização do problema do saneamento no país é o Instituto Trata Brasil. O representante Rubens Filho, relembrou que não há o que celebrar no Dia Mundial do Banheiro e citou os desafios do saneamento. “O Brasil ainda precisa resolver problemas antigos. Precisamos ofertar água para todo mundo, ofertar coleta de esgoto, que muita gente não tem.  Esse é um dia pra gente pautar a imprensa, as autoridades públicas, as empresas para que tenhamos melhores condições nesse país no século XXI”. Recentemente, o Trata Brasil divulgou estudo que aponta a hospitalização de mais de 270 mil pessoas em 2019. “E no ano passado, foram muitas internações por problemas de veiculação hídrica, mesmo com a pandemia em curso”, alertou. 

A Fundação SOS Mata Atlântica atua na promoção de políticas públicas para a convservação da Mata Atlântica, que abrange cerca de 15% do território nacional, em 17 estados. A diretora de políticas públicas, Malu Ribeiro, apontou ainda a aprovação da PEC na Câmara dos Deputados. “Porque o acesso à água e o saneamento precisa estar em nossa constituição!”. Segundo o professor Pedro Jacobi (IEE USP/ICLEI), a pandemia evidenciou a falta do saneamento básico brasileiro. “Nós estamos conversando hoje sobre a realidade a qual o Brasil está atrasado. Nós temos um número muito grande, ainda, de pessoas sem banheiro”. Já Ângelo Lima, secretário executivo do Observatório da Governança das Águas (OGA), afirmou que é fundamental pensar na governança para acelerar o acesso ao esgotamento sanitário no país. 

No Dia Mundial do Banheiro, a diretora da Fundación Avina, Telma Rocha, ressaltou que não basta apenas ter banheiro, mas banheiros dignos e seguros. Na ocasião, Telma fez um relato pessoal sobre o assunto: “muitas pessoas podem achar o assunto muito específico, mas quando a gente fala de banheiro estamos falando de dignidade. Nasci e me criei em uma periferia urbana, o nosso banheiro não era tão adequado. Me lembro que na adolescência tinha vergonha de levar às pessoas ao banheiro, porque é o cartão de apresentação de uma casa. O banheiro é simbólico e ao mesmo tempo importante.”

Amauri Pollachi, do Observatório Nacional dos Direitos à Àgua e ao Saneamento (Ondas), observou que o Dia Mundial do Banheiro foi instituído pela ONU com uma consequência da resolução 64.292/2010. “A resolução se propõe com essa instituição pela ONU a celebrar banheiros”. 

Entrevista com relatores especiais da ONU para o Direito Humano à Água e ao Esgotamento Sanitário

A abertura da programação do Dia Mundial do Banheiro, contou com apresentação de entrevista realizada pelo IAS com a participação dos relatores da ONU para o Direito Humano à Àgua e ao Esgotamento Sanitário, Catarina de Albuquerque (2008-2015), Léo Heller (2014-2020) e Pedro Arrojo (2020-atual), que conversaram com a diretora executiva do IAS, Marussia Whately, sobre a importância da universalização do acesso ao saneamento básico. A iniciativa é do Instituto Água e Saneamento (IAS) e Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas). Para assistir à série de entrevistas basta clicar neste link.