“Sem água não há vida, tampouco atividade econômica”

Publicado em 11 out 2021

Escrito por Equipe IAS

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arte mostra fotografia de marussia whately com citação dela em uma entrevista sobre a emergência hídrica

“Já estamos em uma emergência hídrica”. A frase da diretora executiva do Instituto Água e Saneamento (IAS), Marussia Whately, é o preâmbulo da entrevista sobre o assunto no episódio 190 do Podcast Vozes do Planeta. Durante a conversa com a jornalista Paulina Chamorro, Whately desmistifica a ideia de que não pode faltar água no Brasil e aponta caminhos para amenizar o colapso no abastecimento do recurso. Segundo a diretora do IAS, as crises climáticas e de recursos, como a água, estão interligadas entre si. 

“As secas requerem que a gente tenha uma visão a longo prazo, porque ela acontece aos poucos e a cada ano deixa menos água. É preciso minimizar o problema. Além disso, crise este ano tem outra dimensão: a do setor energético, oriunda também de vários problemas de gestão e do aumento de outras fontes de energia”.

Durante o episódio, a autora de O Século da Escassez apresenta uma aula sobre a crise hídrica, que começou em 2013 na Região Metropolitana de São Paulo, com fim apenas três anos depois, em 2016. Atualmente, o reservatório Cantareira, responsável pela distribuição de água a sete milhões de pessoas, está secando, com apenas 38% do volume útil. Em 2013, eram 58%. As informações são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Pode faltar água no Brasil?

Para começar, a principal referência sobre água e saneamento do Brasil desmistifica a ideia de que não é possível faltar água no país.

“Apesar de acumular 12% da água superficial do planeta e importantes reservas subterrâneas, que são os aquíferos, existe uma distribuição desigual do recurso no país.”

Todavia, alguns lugares têm muita água, enquanto outros sofrem com pouco ou nada. Afinal, mais de 70% da superfície do recurso hídrico estão concentrados na Bacia Amazônica, onde vivem 7% da população mundial. A outra parte está distribuída nas regiões Centro-Oeste (15%), Sul e Sudeste (6%) e Nordeste (3%). Whately explica que, apesar de parecer confortável dizer que o Brasil concentra boa parte da água do planeta, o país tem dimensões continentais. Por isso, é preciso levar em conta a estrutura dos biomas, e principalmente, saber onde a população e as atividades econômicas estão concentradas.

“Saber que temos água não quer dizer que o recurso esteja onde está a população.” 

Quais são os impactos da falta de água em eventos climáticos?

Rios baixos, falta de chuva, temperaturas elevadas, redução da oferta de alimentos, aumento da inflação, fenômenos climáticos.

Frequentemente, no século da escassez, as últimas manchetes de jornais têm sido assustadoras. Setecentos mil hectares de floresta consumida pelo fogo no Pantanal, entre janeiro e agosto de 2021. Queimadas acima da média na série histórica da Amazônia. Seca mais intensa da história. Avanço da estiagem no Nordeste e Centro-oeste. São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão atingidos por Nuvens de poeira. O fenômeno denominado haboob ocorre em países desertificados ou em locais de seca no Brasil, confirmando o que aponta a diretora do IAS, durante o podcast.

Por fim, para reduzir os problemas da falta de água, Whately aponta caminhos. De acordo com a diretora do IAS, o primeiro passo é parar de queimar e desmatar a floresta amazônica. Dessa forma, também seriam reduzidos os efeitos do aquecimento global, mitigando outros processos de queimadas e desertificação.  

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