Notícias Fapesp cria centro focado em saneamento e resiliência climática

Fapesp cria centro focado em saneamento e resiliência climática

04 mar 2026

Inaugurado em 10 de fevereiro, centro pretende apoiar pesquisa aplicada e colaborações entre poder público a iniciativa privada; IAS participou do evento de lançamento

04 mar 2026

Sede da Fapesp, em São Paulo (Divulgação)
Sede da Fapesp, em São Paulo (Divulgação)

Olhar para os problemas do saneamento no contexto da crise climática é o foco de um novo departamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Trata-se do CCD Saneaclima, ou Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Saneamento e Resiliência Climática, inaugurado em 10 de fevereiro.

O centro pretende apoiar pesquisa aplicada e a colaboração entre instituições estaduais e municipais e a iniciativa privada no sentido de buscar caminhos para a construção de um saneamento resiliente. 

Em apresentação durante o evento de lançamento, Marcelo Antunes Nolasco (diretor e pesquisador responsável do CCD Saneaclima e EACH-USP – Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo) afirmou que a proposta do centro é auxiliar estado e municípios de São Paulo na busca pela universalização do saneamento diante do “desafio ampliado” da crise climática. “No passado, as séries históricas hidrológicas eram suficientes para fazer previsões. Cada vez mais, esse modelo não consegue fazer previsões adequadas”, afirmou. 

O centro também pretende ter uma atuação integradora, promovendo a colaboração entre diferentes divisões e repartições públicas que hoje trabalham de forma “desconectada”, na definição do pesquisador. É uma abordagem que deve contemplar planejamento resiliente, inovações baseadas na natureza e tecnologias digitais e comunicação. 

Linhas de atuação

A segunda mesa do evento tratou dos eixos de atuação do CCD Saneaclima. Os participantes do painel foram Décio Luiz Semensatto Jr. (UNIFESP), José Carlos Mierzwa (Escola Politécnica da USP), Marcelo Lauretto (EACH-USP), Maria Tereza Pepe Razzolini (Faculdade de Saúde Pública, USP) e Renata Colombo (EACH-USP).

Os quatro eixos de atuação do centro foram apresentados durante o painel.

  • Eixo 1 (Planejamento e Articulação)
  • Eixo 2 (Resiliência Hídrica com Fontes Diversificadas)
  • Eixo 3 (Soluções Não Ortodoxas Baseadas em Dados)
  • Eixo 4 (Estratégias de Comunicação)

Em relação ao Eixo 1, Semensatto abordou o desafio “central” de implementar planos de saneamento resilientes alinhados aos direitos humanos, em outras palavras, como garantir água e saneamento à população em cenários de crise climática, considerando as “diversas” fragilidades do setor. Trazendo para o âmbito do centro, o especialista destacou a importância de fortalecer o planejamento municipal e regional para torná-lo resiliente e acelerar a universalização do atendimento. 

Ao tratar da metodologia e abordagem de execução, Semensatto afirmou que o centro pode contribuir para o desenvolvimento de diretrizes técnicas para a análise crítica e revisão de planos municipais e regionais de saneamento no estado de São Paulo. 

A participação do IAS

Parte do cronograma de lançamento do Centro, a mesa “Água, Saneamento e Ação Climática em São Paulo” contou com a participação de Paula Pollini, coordenadora de articulação e incidência do IAS, junto com Sonaly Rezende (UFMG, on-line), Alba Valéria M. A. Rocha (SEMIL), José Renato Nalini (SECLIMA-Prefeitura de SP) e Elisabete França (SMUL-Prefeitura de SP). A moderação foi de Priscila Soraia da Conceição (Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR).

Paula destacou a mudança de contexto gerada provocada pelas regionalizações previstas na revisão do Marco Legal em 2020. Com essas novas instâncias de governança criadas dentro dos estados, desafios surgiram em relação à gestão de diferentes componentes do saneamento, incluindo sua preparação para os eventos climáticos. 

A integração entre os quatro componentes não se efetiva em grande partes dos casos, com responsabilidades espalhadas entre municípios e estado, dependendo do componente. “A drenagem fica muito a cargo dos municípios, os resíduos sólidos às vezes têm uma regionalização diferente”, exemplificou. “Em um cenário onde a sobra ou a escassez vai acontecer com maior frequência, temos de entender como melhorar a resiliência nesse contexto”.

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