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Dia Mundial da Água: integrar políticas é fundamental, construir novos imaginários também

A água é o único recurso natural que se renova por meio de um ciclo. É fundamental para a vida no planeta Terra e para a preservação das espécies. Apesar de toda a sua importância, encontra-se sob ameaça: no mundo em que vivemos, a água limpa e doce vem escasseando, e as razões desse preocupante quadro são o desperdício, a poluição, as mudanças climáticas e a falta de governança. 

O século XX deixou evidente as reações do planeta à degradação ambiental provocada pela atividade humana. Por isso, no dia 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Mundial da Água. A data é um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta questões urgentes sobre a preservação dos recursos hídricos, e desde então vem sendo lembrada como um marco importante para a conscientização sobre o tema.

“O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam” 

Artigo 4 da Declaração Universal dos Direitos da Água

Em 2020, o IAS nasce com o propósito de produzir pesquisas, gerar mobilização e articular diferentes atores sociais, do governo ao setor privado, em uma convergência de esforços voltados à garantia do acesso universal à água e ao saneamento. Para que esse objetivo seja alcançado, colocar a governança das águas como prioridade é fundamental para evitar a eclosão de conflitos em escala local, entre regiões e entre países, atravessados por componentes geográficos, socioeconômicos, étnicos e raciais. 

O problema da falta de água é sistêmico e global: na raiz do problema da escassez em determinada região pode estar a destruição de mananciais e nascentes, como, também, o desmatamento para a criação de novas fronteiras agrícolas.  Sem água não se produz alimentos, pois sua produção e transporte demandam energia. A definição da matriz energética a ser priorizada pelas políticas desse setor é também uma decisão sobre a forma como utilizamos a água. A gestão da água, portanto, “impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social”, e “o planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra”, fixam os artigos 9 e 10 da Declaração Universal dos Direitos da Água. Nesse sentido, incorporar e integrar diversas instâncias e agendas políticas é estratégico, mas isso será mais difícil se não tivermos êxito na tarefa de construir uma nova cultura de cuidado com a água. É isso que fará emergir uma nova consciência coletiva. O IAS pretende contribuir para ampliar a visão de futuro sobre o tema, demonstrando que outro horizonte é possível. A utopia, disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano, serve para nos fazer caminhar.

Marussia Whately, arquiteta e urbanista, idealizadora da Aliança pela Água e Diretora do Instituto Água e Saneamento.