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IAS participa do debate de lançamento do MapBiomas Água: Brasil perdeu 15% da superfície de água em 30 anos

Na última segunda-feira, 23 de agosto, ocorreu o lançamento do MapBiomas Água, iniciativa do MapBiomas Brasil, com o intuito de mapear a dinâmica da água na superfície brasileira no intervalo dos anos de 1985 até 2020. Com moderação de Juliano Schirmbeck (MapBiomas), o lançamento foi aberto com falas iniciais de Mauricio Voivodic (WWF-Brasil), Tasso Azevedo (MapBiomas) e Ana Toni (Instituto Clima e Sociedade). Em seguida, a apresentação de dados e da plataforma do MapBiomas Água foi  feita por Carlos Souza (MapBiomas/IMAZON) e Diego Costa (MapBiomas/IMAZON). Na sequência, ocorreu um debate entre Daniel Ferreira (ANA), Marcia Macedo (WHRC) e a diretora executiva do IAS, Marussia Whately. O lançamento finalizou com algumas rápidas respostas aos participantes entusiasmados com a nova plataforma e suas possibilidades de interfaces diversas. 

De modo geral, o MapBiomas propõe-se a mapear a cobertura da terra e as dinâmicas do território. São quatro os balizadores: séries históricas, de imagens de satélite; processamento pixel a pixel; inteligência artificial; e trabalho em rede com processamento na nuvem. Projeto iniciado em 2015, são vários produtos da família MapBiomas, sempre disponibilizados de forma gratuita e transparente, com código aberto, sendo um deles o MapBiomas Água.

Os objetivos desse MapBiomas Água, então, são: prover dados mensais de superfície da água para todo território nacional desde 1985 e discriminar os corpos hídricos naturais e antrópicos; contribuir para entender os impactos do aquecimento global, das mudanças no uso e cobertura da terra e da construção de infraestrutura nos ecossistemas aquáticos do Brasil; e disponibilizar a base de dados, mapas e estatísticas, por meio de um painel de dados para contribuir com estudos e políticas públicas em favor de uma gestão sustentável dos recursos hídricos no Brasil.  

Os grandes dados são os seguintes: a superfície de água em 2020 no Brasil abrange uma área equivalente a quase quatro vezes o estado do Rio de Janeiro. Nessa conta não se discute o volume de água, mas a cobertura superficial. Em 30 anos, desde 1991, foram perdidas 15,7% da cobertura superficial de água no País. Infelizmente, a tendência atual é de queda dessa cobertura, em todos os biomas, e em todas as regiões hidrográficas. Além disso, 54 das 76 sub-bacias hidrográficas perderam superfície de água nas últimas três décadas. Por fim, 23 estados tiveram redução da superfície de água desde 1990. 

O representante da Agência Nacional de Águas (ANA) destacou que é importante o cuidado na análise dos dados provisionados pela plataforma. Para massas de água naturais, segundo ele, a superfície é indicador importante, enquanto que, para massas de água artificiais, a análise por inventário é mais relevante. Além disso, para a gestão das águas, a capacidade e o volume armazenado nos reservatórios são os dados mais relevantes. Construir indicadores para a gestão a partir da base de dados é uma das potencialidades da plataforma. Além disso, a ANA destacou que está realizando um estudo sobre evaporação líquida de reservatórios no Brasil, e que o MapBiomas Água poderá ser útil.

A palestrante do Woodwell Climate Center (WHRC) destacou que o mapeamento é ferramenta essencial para se monitorar a escala do bioma e da bacia hidrográfica, numa abrangência temporal. A classificação dos corpos hídricos em áreas naturais e antrópicas é importante para qualificar a interpretação quantitativa em relação ao ciclo hidrológico, isso porque as represas podem aumentar a evaporação de uma determinada região. A interface com a emergência climática é também relevante na plataforma, na medida em que aumentando-se a temperatura regional o ar vai segurar mais vapor de água, e, assim, aumenta-se a demanda hídrica de uma área. 

Ao final, Marussia Whately, do Instituto Água e Saneamento (IAS), destacou a relevância da ferramenta neste momento grave de crise hídrica no Brasil, crise a qual pode se tornar crise de abastecimento de água se nada for feito. Alguns cruzamentos possíveis nesse tema são, por exemplo, observar a Bacia Paraná desde 2011 – bacia que está no centro da crise hídrica atual, com foco na tendência de diminuição da superfície da água ao longo da última década. A representante do IAS também mostrou a ferramenta do Painel do Marco do Saneamento, que, ao mapear o processo de regionalização do saneamento básico, mobilizado pela lei 14.026/2020, oferece leituras conjuntas para com o próprio MapBiomas Água. 

Um dos pontos de interesse para quem pesquisa e monitora água e saneamento é que, no caso da análise de mapas, trabalha-se na escala de subpixel, para conseguir captar mesmo cursos de água pequenos. No caso de um intervalo temporal determinado, pode-se observar também cursos de água intermitentes. Nesse caso, faz-se uma análise mensal desses possíveis corpos. São quatro categorias: corpos naturais, corpos de mineração, corpos de hidrelétricas e corpos de reservatórios. 

O protagonismo municipal na gestão dos recursos hídricos, para interromper esse processo de redução da superfície de água no Brasil, é destacado pelos idealizadores do MapBiomas Água. Um total de 70% dos municípios brasileiros tiveram redução de área nas últimas três décadas. Acerca da superfície de água por tipos e corpos de água, 78% são rios e lagos naturais, e 22% são reservatórios e represas artificiais. Foi possível classificar os corpos d’água de cerca de 94% da superfície de água e, sobre essas áreas de corpos hídricos no Brasil, cerca de 76% são de área natural, em torno a 17% de hidrelétrica, aproximadamente 5% deles de reservatórios e menos de 1% dos corpos hídricos são relacionados à mineração.

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