News Apesar de avanços, adaptação climática ‘precisa acelerar’, diz estudo do ICS

Apesar de avanços, adaptação climática ‘precisa acelerar’, diz estudo do ICS

27 May 2026

Apenas quatro estados possuem Planos de Ação Climática que integram de forma conjunta os temas de mitigação e adaptação: Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Piauí

27 May 2026

Enchente em Encantado, Rio Grande do Sul, em outubro de 2023 (Marinha do Brasil/RS)
Enchente em Encantado, Rio Grande do Sul, em outubro de 2023 (Marinha do Brasil/RS)

O Brasil avança em termos de governança climática, com mais estados preparando planos e estratégias. No entanto, essa resposta “precisa acelerar” para estar à altura do desafio dos eventos extremos. Esta é uma das conclusões do “Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026”.

Organizado pelo ICS (Instituto Clima e Sociedade), o relatório propõe entender “como o Brasil se organiza e responde à crise climática que vivemos” por meio de uma radiografia detalhada das 27 unidades federativas do país. 

Desse total, apenas quatro estados possuem Planos de Ação Climática que integram de forma conjunta os temas de mitigação e adaptação: Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Piauí. Já São Paulo e Distrito Federal têm planos separados para as duas categorias. Outros cinco estados, incentivados pela COP30, iniciaram a preparação de seus Planos de Ação Climática: Bahia, Alagoas, Rio Grande do Sul, Sergipe e Ceará. 

Entre os 21 estados que não possuem planos completos, alguns têm estratégias específicas para mitigação ou adaptação, mas não ambos, como Rio de Janeiro e Rondônia (adaptação) e Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco (mitigação). Outros têm planos de adaptação sendo elaborados, como Espírito Santo, Pernambuco, Ceará, Tocantins e Piauí.

Em relação à gestão de riscos, o cenário é bem melhor. Dezoito unidades da federação — Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Sergipe

e Tocantins — já dispõem de planos de contingência que abordam o enfrentamento de eventos climáticos extremos, como estiagens, enchentes e inundações. 

O levantamento também aponta que 2024 foi um dos anos “mais severos” em desastres climáticos da década. Foram registrados 4.699 desastres climáticos, incluindo estiagens (27%), chuvas intensas (27%) e incêndios (24%). Esses eventos geraram um prejuízo total de R$ 38 bilhões.

As enormes perdas financeiras causadas pelos impactos climáticos impõem a integração de metas ambientais no planejamento orçamentário estadual, lembra o estudo. “O custo da inação já é maior que o custo da ação”, afirma o documento. Estados como Acre, Espírito Santo e Rio Grande do Norte já institucionalizaram o orçamento climático em seus planos. No entanto, estados como Distrito Federal, Pará e Rio de Janeiro enfrentam dificuldades de incorporar esses gastos devido à rigidez ou déficit orçamentário. 

O orçamento climático surge como nova fronteira da gestão pública subnacional. Estados como Acre, Espírito Santo e Rio Grande do Norte já institucionalizaram esse modelo, integrando metas ambientais diretamente ao planejamento financeiro estadual. 

Estados que apresentam rigidez ou déficit orçamentário com recursos concentrados em funções obrigatórias (educação, saúde, previdência) — como Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí e Rio de Janeiro — enfrentam barreiras adicionais para garantir a perenidade das ações climáticas. Nesse contexto, mecanismos de financiamento híbrido são importantes para viabilizar essas verbas, entre eles instrumentos como REDD+ ((Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), mercados de carbono e o fomento à bioeconomia ou Parcerias Público-Privadas (PPP).

Publicações do IAS abordam adaptação

Em sua publicação “Adaptação e Saneamento”, o IAS destaca instrumentos da esfera federal como a Lei de Diretrizes para Adaptação Climática (2024) e o Plano Clima Adaptação, que abordam a necessidade de integrar esforços entre governo federal, estados, municípios, sociedade civil e setor privado. 

Em março, o governo federal realizou o lançamento do Plano Clima, que integra as vertentes de mitigação e adaptação. “O Plano Clima é a principal estratégia do governo para o enfrentamento aos graves problemas da mudança do clima que já estão nos assolando”, disse a então ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, em referência ao eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e São Sebastião (SP). Já na publicação “Chuva e Águas Urbanas”, da mesma série, o Instituto chama a atenção para o papel de dois componentes do saneamento básico, drenagem e manejo de resíduos sólidos, no contexto das ações e estratégias de adaptação. De acordo com o texto, aspectos como transporte, retenção, tratamento e disposição final dessas águas são essenciais para minimizar problemas como enchentes, alagamentos e impactos ambientais. 

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