Prefeitura de SP realiza etapa final de consulta do plano municipal de saneamento
24 Jun 2026
Contribuições para o documento podem ser realizadas até 3 de julho; diagnóstico contido na versão preliminar aponta segurança hídrica frágil do município
24 Jun 2026
A consulta pública sobre o PMSAI (Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado) da cidade de São Paulo entrou em sua etapa final. Até 3 de julho podem ser realizadas contribuições para o documento por meio da página da consulta no site da prefeitura.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, em parceria com o ONU-Habitat por meio de seu Escritório Regional para a América Latina e o Caribe, o PMSAI de São Paulo é o principal instrumento da Política de Saneamento Ambiental e do Sistema de Saneamento Ambiental do município. Ele é estruturado a partir de um conjunto normativo e institucional que pretende garantir o acesso universal e sustentável aos serviços de saneamento.
Com horizonte temporal de 2026 a 2045, e revisões a cada quatro anos, o plano articula políticas públicas urbanas, ambientais, de saúde, e de desenvolvimento social. O PMSAI também orienta a estruturação de políticas públicas em âmbito municipal que se concretizem em ações voltadas para acelerar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.
Nas etapas anteriores da consulta, foi realizado o diagnóstico do saneamento ambiental no município e, posteriormente, a coleta de propostas da sociedade a partir de duas perguntas estabelecidas pela prefeitura: “O que precisa ser feito em São Paulo para garantir o saneamento para todas as pessoas?” e “Que ações podem tornar os serviços de saneamento ambiental universais e equitativos nos próximos anos?”.
O IAS participou dessa etapa com uma contribuição apoiada em cinco pontos: banheiros adequados em residências; infraestruturas mais resilientes às mudanças climáticas; metas de universalização de acesso à água, esgotamento sanitário, manejo das águas das chuvas e coleta de resíduos sólidos; a criação de uma plataforma municipal de dados sobre indicadores como produção, consumo, perdas, entre outros; soluções de drenagem a partir do imóvel.
O que há na versão preliminar
Disponível na página da consulta, a versão preliminar do plano traz informações sobre a elaboração, o processo participativo, sua articulação com o sistema municipal de planejamento e avaliações dos índices de criticidade dos componentes do saneamento.
O documento também apresenta um detalhado diagnóstico sobre a situação do saneamento básico na capital. De acordo com o texto, a governança do saneamento em São Paulo, que envolve diversos atores, ficou ainda mais complexa com a privatização da Sabesp e a integração do município à Urae-1. Sem mecanismos robustos de integração, estratégias territoriais e ações enfrentarão desafios.
No âmbito da gestão municipal, as dinâmicas para o controle social também requerem aprimoramento. No Conselho Deliberativo da Urae-1, a sociedade civil tem até sete representantes, mas apenas 6% do peso deliberativo, contra 94% de Estado e municípios.
Outros pontos destacados no diagnóstico, incluem a elevada dependência da cidade em outras bacias hidrográficas, o que reflete diretamente na segurança hídrica regional e local. A redução do volume dos mananciais que abastecem o município agrava o Índice de Segurança Hídrica, que chegou a se aproximar da faixa de atenção em 2025, ano em que a retirada de água das represas pela Sabesp bateu recorde.
As perdas reais no município, associadas a vazamentos e extravasamentos, corresponderam a 29,5% do volume produzido em 2024, equivalente a uma vazão média de 13,5 m3/s — comparável à capacidade de produção do Sistema Produtor Alto Tietê.
A redução de pressão noturna é uma prática consolidada no município como instrumento operacional para redução de perdas. No entanto, verifica-se insuficiência de informações sistematizadas e continuamente atualizadas sobre a sua aplicação, afirma o documento.
O diagnóstico aponta ainda para as lacunas de atendimento e estrutura que ainda persistem na cidade mais rica do país. O documento cita dados do Censo Demográfico de 2022 (IBGE) para informar que 454 domicílios da cidade continham apenas sanitário ou buraco para dejeções e outros 469 não contavam com banheiro nem sanitário, totalizando quase mil domicílios em condições inadequadas. Um total de 1.107 pessoas não contavam com acesso a banheiro ou sanitário no município. São números marcados pela desigualdade: 59,4% dos responsáveis por domicílios sem banheiro ou sanitário se declararam pretos ou pardos.
Read more
Share
Topics
IAS Newsletter
Subscribe to our newsletter to receive the latest news on sanitation and updates from IAS.
Initiatives
Discover IAS initiatives that aim
to inspire change in the sanitation sector
Municipalities and Sanitation
Access the latest data on sanitation in Brazilian municipalities.
World Toilet Day
Every year, we promote actions to raise awareness about the importance of access to proper toilets and hygiene.
Water and Sanitation Forum
This is a permanent space for dialogue and idea exchange among various social actors connected to the sanitation sector and its cross-cutting themes.