Fenômeno climático influenciou secas e chuvas na Amazônia e Rio Grande do Sul; probabilidade de ocorrência é de 90% até o fim de 2026
15 May 2026
Nas últimas semanas, foram divulgadas previsões climáticas que indicam um aumento significativo da probabilidade de um ressurgimento do fenômeno El Niño em 2026. Segundo relatórios divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), das Nações Unidas, a porção sul do Oceano Pacífico deve começar um processo de aquecimento ao longo dos próximos meses.
Segundo a OMM, a probabilidade de ocorrência do El Niño já ultrapassa 60% entre maio e julho de 2026, podendo chegar a mais de 90% entre agosto e o fim do ano. Especialistas alertam que, embora ainda exista incerteza sobre a intensidade do fenômeno, os modelos climáticos indicam possibilidade de um evento forte, com potencial para elevar temperaturas globais e aumentar a frequência de extremos climáticos em várias regiões do planeta.
A comunidade científica também acompanha com atenção a possibilidade de um “Super El Niño”, expressão usada informalmente para episódios muito intensos. Embora o termo não seja oficialmente adotado pela meteorologia, alguns modelos internacionais sugerem que o aquecimento do Pacífico pode atingir níveis raros até o início de 2027.
O que é o El Niño
O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um dos principais fenômenos que influenciam o clima global. Ele ocorre devido a mudanças na temperatura das águas do Oceano Pacífico e na circulação atmosférica, sendo composto por três fases: El Niño, marcado pelo aquecimento das águas; La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas; e neutralidade, que é quando não há atuação de qualquer dos dois fenômenos.
No Brasil, uma das regiões mais impactadas pela atuação do ENOS é o Rio Grande do Sul, pois o fenômeno potencializa o transporte de umidade (oriunda da região amazônica) para o estado, o que sustenta sistemas de baixa pressão sobre a região, resultando em tempestades e inundações. Relembramos quatro momentos em que o El Niño afetou o Brasil da década passada para cá.
Estiagem em Matopiba (2015)
A região agrícola que fica na confluência dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, teve quebra da safra 2015/2016 quando o El Niño reduziu o regime de chuvas na região. O fenômeno que costuma levar a um aumento da precipitação no sul do país, tem efeito inverso na região Centro-Norte.
Na área responsável por 12% da produção nacional de grãos (especialmente soja, milho e algodão), a seca trazida pelo fenômeno meteorológico, agravado pelas mudanças climáticas, fez despencar as produções agrícolas. O estado mais atingido nessa época foi o Piauí, com perdas entre 50% e 55%. Depois, veio o Tocantins que teve queda entre 35% e 40% da produção.
Seca na Amazônia (2023)
As regiões sul e sudoeste da Amazônia enfrentaram uma diminuição considerável de chuvas a partir de novembro de 2022. Entre abril e maio de 2023, o El Niño entrou em cena para agravar a situação, bagunçando os padrões de vento, umidade, temperatura e chuvas nas regiões tropicais. Isso levou a redução ainda maior da precipitação e aumento de temperaturas no Norte e Nordeste do Brasil.
À medida que as chuvas foram diminuindo, os níveis dos rios que vinham do sul da Bacia Amazônica, que já se encontravam abaixo da cota mínima histórica para aquela época do ano, tiveram ainda mais dificuldade para voltar ao normal. Em diversos pontos, os rios ficaram com bancos de areia, dificultando o trânsito de barcos, principal meio de transporte entre diversas comunidades da região.
Enchentes no Rio Grande do Sul (2024)
As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul causaram a maior tragédia ambiental já registrada no estado, com 180 mortos, 25 desaparecidos e 96% das cidades atingidas. A calamidade foi ocasionada por uma combinação entre chuvas sem precedentes, provocadas pelo El Niño e intensificadas pelas mudanças climáticas, falhas nas estruturas de conteção de enchentes e drenagem e falta de planos de adaptação.
De acordo com a OMM, ao provocar o aquecimento das águas do Pacífico na época, ajudou a bloquear frentes frias e a concentrar áreas de instabilidade sobre o Rio Grande do Sul.
São Paulo (2026?)
Conforme o IAS registrou em seus últimos relatórios de monitoramento das represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, os níveis dos mananciais seguem com volumes muito baixos para o início da estação seca. Em abril, o nível foi o menor para o mês nos últimos 10 anos.
Com a chegada do El Niño, surge mais um elemento de imprevisibilidade, possivelmente levando à falta de regularidade das chuvas e aumento das temperaturas. “Chegar ao fim de um verão com menos de 50% de armazenamento não é uma situação nada confortável”, afirmou a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, à Folha de S. Paulo. “A chuva que cair agora não vai compensar as perdas naturais que vão ocorrer pela evaporação natural e pela falta de chuva prolongada.”
Leer más
Compartir
Temas
Newsletter del IAS
Suscríbete a nuestro boletín para recibir las últimas noticias sobre saneamiento y comunicados del IAS.
Noticias Relacionadas
Iniciativas
Conozca las iniciativas del IAS que buscan
inspirar cambios en el sector de saneamiento
Municipios y Saneamiento
Acceda a los datos más recientes sobre el saneamiento en los municipios brasileños.
Día Mundial del Retrete
Cada año promovemos acciones para concienciar sobre la importancia del acceso a baños e higiene adecuados.
Foro Agua y Saneamiento
Es un espacio permanente de diálogo e intercambio de ideas entre diversos actores de la sociedad que, de alguna forma, se relacionan con el sector de saneamiento y sus temas transversales.