Noticias Mês da água: estudos destacam avanços e atrasos em questões ligadas ao recurso

Mês da água: estudos destacam avanços e atrasos em questões ligadas ao recurso

30 Mar 2026

Data promovida pela UN-Water é oportunidade para abordar aspectos como água e gênero, acesso nas escolas e situação dos rios

30 Mar 2026

(Tania Rego/Agência Brasil)
(Tania Rego/Agência Brasil)

“A crise mundial de água é uma crise das mulheres”, afirmou a UN Water no material de divulgação do Dia Mundial da Água de 2026, celebrado em 22 de março. Ao enfatizar a conexão entre água e igualdade de gênero, a agência afirmou que é hora colocar mulheres e meninas no centro das soluções para a água. “Onde a água flui, a igualdade cresce”, diz o texto da organização.

Por ocasião da data, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a UN-Water lançaram em 19 de março o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. O documento aponta que as desigualdades de gênero continuam a comprometer a segurança hídrica mundial, atingindo de maneira desproporcional mulheres e meninas. 

Segundo o relatório, as mulheres ficam a cargo da coleta de água em mais de 70% dos domicílios rurais sem acesso a esse tipo de serviço. Meninas com menos de 15 anos (7%) têm maior probabilidade de serem incumbidas de buscar água do que meninos da mesma idade (4%). 

Há também impacto na vida escolar, diz o documento: entre 2016 e 2022, estima-se que 10 milhões de adolescentes (15–19 anos), em 41 países, faltaram à escola, ao trabalho ou a atividades sociais em razão das dificuldades de higiene na menstruação.

ANA destaca disparidade de gênero

A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) também destacou os impactos negativos do desequilíbrio de gênero no contexto da água em nota sobre o Dia Mundial da Água. “Sem água na torneira, são elas as principais responsáveis pela coleta de água e pelos cuidados com a casa e com a família – tarefas que se tornam mais difíceis, demoradas e exaustivas quando faltam serviços adequados. Sobrecarregadas, ainda são expostas a graves riscos sanitários e de violência nesse contexto de vulnerabilidade”, pontuou a Agência.

A agência pontuou que essa situação perdura mesmo diante de melhorias dos indicadores do país de água e saneamento, conforme registrados em um novo Painel de Monitoramento das Metas do ODS 6, que trata da disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) até 2030. 

Melhoria nas escolas

Entre as boas notícias, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) chamou atenção para a ampliação do acesso seguro à água nas escolas do país. Citando dados do Censo Escolar, a Unicef afirmou que o número de escolas públicas ativas sem nenhum acesso à água foi reduzido pela metade entre 2024 e 2025. 

O número caiu de 2.512 escolas (que atendiam 179 mil estudantes) para 1.203 escolas (com 75 mil estudantes). Isso significa que 100 mil crianças e adolescentes passaram a ter acesso à água na escola no espaço de um ano. 

De acordo com o Censo Escolar, o acesso à água nas escolas é essencialmente um problema das áreas rurais. Em 2025, das 1.203 escolas que não contavam com serviço de água, 96% (1.149) estavam na zona rural, ao passo que apenas 4% (54) estavam na zona urbana. 

A situação dos rios

A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou o relatório Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica, onde traz um amplo diagnóstico sobre a situação dos cursos d’água do bioma. Neste ciclo de monitoramento, foram realizadas 1.209 análises em 162 pontos de coleta, distribuídos em 128 rios e corpos d’água localizados em 86 municípios de 14 estados.

Os resultados mostram que apenas cinco pontos (3,1%) apresentaram qualidade boa, enquanto 127 (78,4%) foram classificados como regulares, 25 (15,4%) como ruins e cinco (3,1%) como péssimos. Mais uma vez, nenhum ponto analisado atingiu a classificação de qualidade ótima.

O levantamento mostrou um cenário em que prevalecem condições regular, ruim ou péssima nos 162 pontos monitorados nas bacias do bioma em 2025. No estado de São Paulo, apenas três deles registraram qualidade boa: Córrego Água Limpa (São Sebastião da Grama), Rio Piraí (Salto) e Córrego do Balainho (Suzano). Nenhum ponto apareceu com qualidade ótima. 

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